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Os meus quereres

Publicado: 21 de setembro de 2015 em Poemas & Poesias, Rascunhos

Nunca duvide dos meus quereres, eles não são entendíveis.

Gosto de tomar sorvete no inverno e de um mate quente em pleno verão;

No rodízio de pizza, o que vier vem bem:

Doce, salgada, salgada e doce, tanto faz. Amo de paixão.

Não me importo em acordar cedo em pleno domingo,

Mas durante a semana prefiro passar das dez.

Gosto do que não tenho e amo o que não posso ter.

Nunca duvide dos meus quereres.

Um dia posso querer algo e realmente conseguir.

(É quando perderei a razão do meu existir).

Desabafo

Publicado: 27 de fevereiro de 2011 em Rascunhos, Textos

Quando escrevo é para desabafar.
Não sou muito de falar
Me enclausuro em mim mas só porque sou assim.
Ouço, analiso e aprendo, mas na hora de praticar…
O erro é meu eterno companheiro.
Mas penso que de tanto errar e continuar errando um dia acabarei aprendendo a manter a felicidade perto de mim, a amar alguém sem esperar nada em troca, a entender e compreender melhor com quem me importo.

Não que eu seja infeliz, não é isso. Sou feliz por ter uma família, por ter amigos verdadeiros, sou feliz por ter sido inconsequente na juventude.
Mas a juventude passa. E parece que, para mim, junto com a juventude se foram a coragem e o medo. Restando apenas a inércia do viver.
Procuro motivos e objetivos, e os encontro. Mas, novamente,é difícil colocá-los em prática.
Me apego sem pensar e quando penso me arrependo.
Sou consumista. Por vezes imediatista. Por outras imperfeccionista.
Procuro alguém, sim.
Alguém que me entenda, alguém que me aceite, alguém que se sacrifique por mim como eu estou disposto a me sacrificar. Mas essa alguém que, passei tanto tempo criando, tenho certeza não existir.

Em Busca do Amor – Parte 6

Publicado: 16 de novembro de 2010 em Rascunhos, Textos

Nocaute

Quando eu tinha 14 anos haviam duas garotas, melhores amigas, que andavam com a minha turma. Volta e meia eu beijava uma, volta e meia a outra. Típico.

Mas elas descobriram, brigaram e eu tive que “escolher” uma. Fiquei com a mais alta. Loira, cabelos ondulados, elegante, sincera. Éramos parecidos. Naquele tempo eu ainda era um Jogador. E ela também. Tivemos algo realmente marcante, mesmo não oficializando/rotulando nada.

Foi a primeira garota pela qual fiz sacrifícios. Viajava para a praia sem ter onde dormir só para passar um tempo com ela, ia em shows de bandas que eu não gostava pelo mesmo motivo. Mas ela sabia jogar o jogo como niguém, ela me dava a corda e eu ia cada vez mais me aproximando da forca.

Novamente morri pela boca. Falei o que não devia. Pedi o que não podia e lá estava o game over. Naquele tempo não dei muita bola. Segui adiante. Hoje penso como era fácil seguir com o jogo.

Nos encontramos novamente algumas vezes e chegamos a trabalhar no mesmo local que a filha do chefe do capítulo anterior, ela namorava havia 4 anos então e estava super feliz. Devo dizer que ganhou uns quilinhos com o passar dos anos, mas aquele olhar sincero ainda estava lá e eu soube que eu tinha sido importante pra ela tanto quanto ela pra mim. E isso me fez bem.

Um ano mais tarde recebo uma mensagem em uma das páginas de redes socias que mantenho. Era dela. Queria me ver. Ok. Saí do trabalho quase meia-noite e fui para casa dela. A mãe dela ainda me amava (não entendo porque essa raiva de sogras, sempre me dei muito bem com as minhas), e ela não tava bem com o namorado. Parece que ele queria noivar e ela ainda não tinha encerrado um capítulo do livro da vida dela. EU.

Ela acabou com o fulano e começamos a namorar. Do tipo de dizer eu te amo, olho no olho, após a transa. Foi intenso para mim. Eu me encontrava em um estado de carência muito preocupante após o término com a filha do chefe e aquele amor da juventude, revitalizado com anos e anos de espera. Foi bom. Me senti completo novamente.

Mas aí chegou o fim de semana que precedia o Dia Internacional das Mulheres. E ela sumiu. Fiquei dois dias a ligar. No terceiro liguei para a mãe dela e descobri que ela tinha ido passar um fim de semana com o ex, em Gramado se não me engano, para ver se consertavam as coisas.

Acho que essa é a primeira vez que não tive culpa nenhum no término de um relacionamento. E foi a pior de todas. Literalmente me derrubou.

Nocaute.

Em Busca do Amor – parte 5

Publicado: 21 de outubro de 2010 em Rascunhos, Textos

A filha do chefe

O começo do fim. Eu já tinha me adaptado a regra citada no capítulo anterior, tratava minhas colegas de trabalho normalmente, não olhava com segundas intenções, não flertava nem nada. Era um ambiente puramente profissional. Aí eu reparei nela.

A sala do chefe era um quadrado de vidro no canto da sala onde eu trabalhava. Ele ficava o dia todo de costas para mim. Nunca consegui pegar ele vendo pornografia na tela do PC. Seria uma boa, caso fosse necessário algum tipo de chantagem no futuro.

Um dia, do nada, reparei em uma linda moça. Cabelos lisos, compridos e castanhos. Olhos grandes, também castanhos. Nariz perfeito e sorriso aberto. Ela caminhava no corredor como se fosse o tapete vermelho da entrega do Prêmio da Academia. Fui obrigado a fazer minha pesquisa de campo. Nome, cargo, algo de útil para puxar uma conversa. Consegui algumas informações valiosas. No fim do expediente ela entrou na sala do chefe. Fiquei curioso. Beijou o chefe no rosto, largou a bolsa na cadeira como se fosse a coisa mais natural do mundo e ali ficou esperando a hora de ir embora. Saíram juntos.

Naquele momento eu já sabia que não podia nem pensar em colocar o cavalo na chuva. Ia me poupar o trabalho de tirar ele de lá depois.

Foi para falar com uma colega de trabalho mais velha que ela chegou perto de mim a primeira vez. Eu pensava que ia ser fácil, era só pensar nela como mais uma e tudo bem. Mas ela foi chegando e, em vez de entrar na sala do pai, passou reto e veio falar com a colega.

Fiquei nervoso, suei, tremi, o rosto mais vermelho que tomate maduro. Não consegui nem dar oi. Era uma mulher de personalidade. Esse tipo de visita foi tornando-se recorrente. E dessa forma fomos nos aproximando. Um chimarrão aqui, uma conversa acolá, um flerte aqui e outro ali. Mas nada. E para me ajudar o ex dela trabalhava em um setor vizinho.

Construímos uma bonita amizade. Um tempo após eu sair do trabalho e de ficarmos um tempo sem nos falar ela me procurou no msn. Retomamos o contato, começamos a nos ver, chimarrão na redenção, conversa vai, conversa vem. Flerte vai, flerte vem e ela não cedia nem um beijo.

Comecei a ficar irritado. Nunca fui muito fã de mulher que não consegue esconder seus desejos e fica se fazendo para entrar no jogo. Mas aquela era diferente. Eu comecei a pensar que era ela. Eu tinha tudo. Apoio, admiração, compreensão. Então, por que não? Então começamos a namorar. E foi ótimo. Pra mim.

Naquele tempo eu ainda tinha muito do velho eu mas não me dava conta disso. Ela vinha de outra cidade, ficava na minha casa, não reclamava. Mas ela tinha uma particularidade inusitada. Adorava uma discussão, uma pequena briga ou, em casos mais leves, um simples confronto de opiniões. Ela gostava daquilo, eu conseguia ver. E no fim até me divertia.

Nós acabamos por minha culpa. O pior é isso. Eu sei disso. E eu sabia que ela é o tipo que não acredita em segundas chances. E não sei se foi o velho eu, representado na forma do medo de estar em um relacionamento e estar gostando dessa situação, ou se foi apenas um descontrole de minha parte, atirando palavras nela como se tivesse atirando balas em nazistas na Segunda Guerra, que culminou no fim.

Na minha humilde opinião foram as duas coisas. E ainda mais.

Em Busca do Amor – parte 4

Publicado: 18 de outubro de 2010 em Rascunhos, Textos

Onde se ganha o pão não se come a carne

É sério. Não dá certo. Comprovado cientificamente. Em ambientes de trabalho onde a maior parte dos colegas são do sexo oposto a atenção deve ser quadriplicada elevada à décima quarta potência. Uma vez arrisquei. Ela era mais velha, mas tinha um fogo de uma ninfeta ninfomaníaca de 16 anos, mas a mentalidade combinava mais com a ninfeta que com a idade real. Combinação quase perfeita. Nesse tempo eu já estava mais consciente da possibilidade de ficar pra tio, então prestava mais atenção nos detalhes, nos dela e nos meus. Ficava pensando se estava mesmo apaixonado, se não era o “velho eu” disfarçado, se era o que eu queria para os próximos anos na da minha vida e essas perguntas me causaram desconforto.

Mas o pior eram as colegas de trabalho. Quando eu passava no corredor, entresorrisos e cochichos. Eu sabia que elas falavam do casal do setor. Fofocas sempre me irritaram. Quando eu sei que sou o centro dos assuntos então. Mas sempre fui bom ator. As vezes parava na roda das garotas e perguntava sobre o que estavam falando. E lá, com elas, ficava a conversar. Até a última dizer que tinha que voltar para o trabalho.

Mas o relacionamento não foi criado para se passar 8 horas ao lado da pessoa no trabalho e o resto do tempo juntos. Simplesmente não dá. Um sorriso durante uma conversa com a gostosa do setor pode ser o ponto de partida de uma série inacreditável de desentendimentos, via e-mail, durante o expediente, no caminho até em casa, após chegar em casa, durante o preparo do jantar, durante o jantar, após o jantar. Com muita sorte a discussão acaba antes do boa noite, o que dá tempo para o sexo de reconciliação.

Você pode alegar que sua namorada não é ciumenta, não é barraqueira, não é isso nem aquilo. Mas isso tudo só vale se ela, além disso tudo, não tiver TPM. Senão, amigo, fica a dica.

Em Busca do Amor – parte 3

Publicado: 17 de outubro de 2010 em Rascunhos, Textos

Aprenda com as mais velhas

Qual homem no mundo nunca teve fetiche com a professora da escola, colégio ou faculdade? Mulheres mais velhas despertam a atenção dos jovens, e dos não tão jovens assim também.

Pois nesse quesito fui um felizardo. Dos meus 14 aos meus 23 anos praticamente só me relacionei com mulheres mais velhas. E quando não eram mais velhas de idade, com certeza o eram de mentalidade. Mas as de idade é que contam.

Adorava o fato de ser o “aluno” ao invés de ser o “professor”. Nunca me senti mal quando elas pediam, leia-se mandavam, fazer isso ou aquilo, apoiar ali ou acolá, sempre fui um aluno obediente e sempre fui bem recompensado e, de quebra, ainda podia tirar uma onda de “professor” quando alguma garota mais nova, ou menos experiente dava mole. Mas nada como uma boa, literalmente boa, balzaquiana despida e praticamente imóvel ao meu lado na cama após umas boas horas de aula particular.

Com as mais velhas aprendi o que realmente dá prazer para uma mulher. Não basta o físico, por mais que conte muito na nota final. Seduzir não significa ser romântico. Temos que saber ler as mulheres. Saber do que elas precisam sem que elas digam. Ter atitude, pegada, malandragem. Saber o que dizer e o que fazer. E se não souber o que fazer incitá-las a lhe mostrar, sem necessariamente dizer alguma coisa.

ISSO não tem preço.

Em Busca do Amor – parte 2

Publicado: 15 de outubro de 2010 em Rascunhos, Textos

“Elas Contra Elas”

Com o passar do tempo comecei a perder meus “parceiros de crime” para o tal do amor. Até então eu não sabia que ele existia. Era cético.

Certo dia conheci uma pequena, mas linda garota. Gênio forte, pés no chão. Me deixei envolver, gostei de ter me deixado envolver. Mas ao contrário dela eu era cabeça fraca. Fui presa fácil em um jogo que eu não dominava. Costumo chamar esse jogo de “Elas Contra Elas”. Acontece que fui corrompido de uma forma humilhantemente fácil por uma pseudoamiga da minha namorada. Eu fui deixando tudo de lado, dizendo para mim mesmo que nada do que eu estava ouvindo era verdade mas, ao mesmo tempo, armazenando todas as informações em um lado quase não utilizado pela minha mente.

Quando aconteceu a primeira briga aquelas informações vieram a tona, me fazendo perder alguns sentidos e afiando minha língua como se fosse uma navalha. Foram ditas coisas inconcebíveis, desnecessárias e imperdoáveis por minha parte. Palavras envenenadas que marcaram fundo no coração da pobre garota. Palavras que me arrependo de ter dito todo dia que acordo.

Com isso aprendi a lição do “Elas Contra Elas”. Filtre tudo que é dito pela amiga da sua namorada e, em caso de dúvidas, pergunte a sua namorada, jogue verde para tentar descobrir ou pergunte para mais de uma amiga da sua garota, só antes tenha a certeza que não estão todas no mesmo complô.

Em Busca do Amor – parte 1

Publicado: 14 de outubro de 2010 em Rascunhos, Textos

O Jogador

Todo homem encontra o seu verdadeiro amor durante a vida. Ele pode ser o primeiro amor ainda na infância, pode ser o amor do colégio, onde a sexualidade é descoberta. Geralmente esses são os mais fáceis de superar. Quando a vida adulta toma conta de nós os relacionamentos tendem a se complicar. E é nessa altura da vida que descobrimos que já amamos, se estamos amando ou seu ficaremos para tio.

Eu vou ficar para tio. Ou dindo.

Quando mais novo eu fazia minha parte. Estava sempre nas festas, tinha muitos amigos, muitas amigas, curtia a noite não pensando no amanhã. Fazia minha parte com as garotas também. Nunca nas festas. Até hoje não sou bom nesse tipo de ambiente. Minha área de atuação era o pré ou pós-festa, as mesas de bar, os cinemas. Eu era do tipo romântico. Pelo menos passava essa impressão e o mais engraçado é que elas ADORAVAM. Mesmo lá no fundo sabendo que aquilo era só um meio para atingir um fim, se é que me entendem, elas gostavam igual e quando não dava certo, o que sempre ocorria, a culpa era sempre minha.
Mas aí entrava em cena o jogador.

Esse é o pior tipo de conquistador de existe. Literalmente jogando com as palavras, analisando meticulosamente as respostas para em seguida mover as peças do tabuleiro em seu próprio benefício. Na prática acontecia depois que as meninas chegavam a conclusão que tinha sido um erro transar com o jogador. A partir desse momento lá estava ele, preparado para uma boa partida que resultaria na utilização de seu joystick. A tática era sempre a mesma. Implantar a vontade na cabeça delas e fazer com que elas pensem que a idéia de um “revival” partia delas.

Uma coisa é certa: nunca acabou em “game over”.